Respostas anormais a injeções de alérgeno alimentares no esôfago em pacientes adultos com Esofagite Eosinofílica

Respostas anormais a injeções de alérgeno alimentares no esôfago em pacientes adultos com Esofagite Eosinofílica

  • 27 | fevereiro
  • admgastroefigado

A esofagite eosinofílica é uma doença imunomediada (Imunoglobulina IgE mediada) em que 28 a 86% dos pacientes apresentam história de atopia com alergias alimentares e ao meio ambiente, asma e dermatite atópica. Acredita-se que alérgenos alimentares são capazes de induzir uma resposta inflamatória, gerando lesões no tecido esofagiano que culminam com disfagia e impactação alimentar.

Segundo relatado na edição de janeiro de 2018 da revista Clinical Gastroenterology and Hepatology, Warners et al propuseram o uso do já conhecido Prick Test diretamente na mucosa do esôfago, visando identificar com mais precisão os alimentos alergênicos.

O teste, antes cutâneo ou intradérmico, foi realizado em oito pacientes com o diagnóstico previamente definido de esofagite eosinofílica e em três pacientes sem a patologia. Durante a endoscopia, os extratos diluídos de seis alérgenos e uma amostra controle (soro fisiológico 0.9% NaCl) foram injetados na mucosa do esôfago dos pacientes. Três dos seis alérgenos foram escolhidos individualmente, baseado na história prévia do paciente e os outros três foram de leite, soja e trigo.

 Dos oito pacientes participantes, cinco obtiveram uma resposta alérgica aguda intensa após 2 minutos da injeção, caracterizada por obstrução luminal completa e branqueamento da mucosa. O restante dos pacientes com esofagite eosinofílica apresentaram uma resposta mais tardia e os três pacientes sem diagnóstico não obtiveram resposta.

A obstrução luminal é causada por contrações espasmódicas possivelmente ativadas por mastócitos. Essas contrações podem coincidir com os episódios de impactação alimentar relatados pelos pacientes. Além disso, o edema gerado pode também contribuir para o quadro, além de provocar o branqueamento da mucosa.

Os pesquisadores concluíram que os pacientes sem esofagite eosinofílica não respondem ao prick test (boa especificidade) e, quando comparado ao prick test cutâneo ou à medida sérica do valor da IgE, o Prick Test esofágico possui maior correlação entre os alimentos apontados pelos pacientes e a clínica gerada.

Warners el al propõe que a reação IgE mediada é a responsável pela dismotilidade e pela impactação alimentar aguda e que a resposta tardia Th2 mediada provoca a inflamação esofágica crônica predominantemente eosinofílica.

O prick test esofágico pode ser desenvolvido para guiar o tratamento da esofagite eosinofílica baseado em restrições dietéticas.

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